Smartphones são nova fronteira para fabricantes de chips

Publicado: 26/02/2010 em Tecnologia Móvel

Vladimir Soster

A indústria de semicondutores foi por muito tempo um jogo de titãs. O preço de uma fábrica de chips de última geração gira em torno de US$ 3 bilhões. As instalações tipicamente levam anos para serem construídas. E o tamanho microscópico dos circuitos de um chip exige uma engenharia que praticamente desafia as leis da física.

Planta de fábrica de chips em Taiwan: instalações ideais custam cerca de US$ 3 biAo longo das décadas, legiões de companhias cambalearam, ou até se esgotaram financeiramente, por tentarem produzir alguns dos objetos mais complexos feitos pela humanidade pelo menor preço possível. Agora, a guerra dos chips está prestes a se tornar ainda mais sangrenta. Na sua próxima etapa, os fabricantes batalharão para oferecer o silício a um dos segmentos de maior crescimento da informática: smartphones, laptops minúsculos e aparelhos tablet.

O combate coloca grandes companhias ¿ cada uma tentando pôr sua marca sobre a mesma arquitetura básica de chips para portáteis ¿ contra a Intel, a fabricante dominante de chips de computadores, que está usando um design diferente para entrar em um segmento de mercado no qual tem presença ínfima.

Segundo os atores do setor, o consumidor sairá ganhando com a batalha, que deve aumentar a concorrência e a inovação. Mas ela sairá cara para os fabricantes de chips envolvidos.

"Me preocupo com isso", disse Ian Drew, vice-presidente executivo da ARM Holdings, que detém os direitos da arquitetura de núcleos de um chip usado na maioria dos smartphones e que licencia a tecnologia para os fabricantes. "Mas, em última análise, esses fabricantes de chip estão pressionando uns aos outros e, caso um sucumba, ainda haverá dois ou três restantes."

A Intel, com sede em Santa Clara, Califórnia, é há muito tempo considerada referência de ultraeficiência e alta tecnologia na produção de processadores. A companhia é a última fabricante de chips importante que projeta e monta seus próprios produtos, que vão para dentro da vasta maioria de computadores pessoais e servidores vendidos todos os anos.

A maior parte dos demais chips, para itens tão diversos quanto carros e impressoras, é montada por um grupo de fabricantes terceirizados, principalmente na Ásia, para cumprir as especificações de outras empresas que projetam e comercializam o produto. Tradicionalmente, essas companhias, conhecidas como fundições, andam atrás da Intel em termos de tecnologia de produção e trabalham com chips de arquitetura mais simples.

Mas com a tecnologia portátil, começou uma corrida cara pela produção de chips ainda menores, que consumam menos energia, sejam mais rápidos e custem menos do que os produtos fabricados nas fábricas mais antigas.

Por exemplo, a GlobalFoundries planeja iniciar este ano a produção de chips em Dresden, na Alemanha, numa fábrica que é discutivelmente a mais avançada já construída. Os primeiros chips produzidos irão para smartphones e aparelhos tablet, ao invés de computadores tradicionais.

"O primeiro que chegar com esses tipos de produto será realmente aquele que vai ganhar o mercado", disse Jim Ballingall, vice-presidente de marketing da GlobalFoundries. "Isso vai mudar as regras do jogo."

A companhia, um novo ator nos negócios de produção terceirizada de chips, foi formada no ano passado, quando a Advanced Micro Devices, a principal rival da Intel no mercado de processadores, se desfez de suas operações de produção. A GlobalFoundries, com sede em Sunnyvale, Califórnia, teve um auxílio próximo a US$ 10 bilhões em investimentos atuais e futuros do governo de Abu Dabi.

Os vastos recursos à disposição da GlobalFoundries botaram pressão sobre empresas como Taiwan Semiconductor Manufacturing, United Microelectronics e Samsung Electronics, que também fabricam chips para smartphones. A mensagem da GlobalFoundries é clara: como recém-chegada, vai gastar o que for preciso para conquistar mercados desses rivais.

Ao mesmo tempo, Apple, Nvidia e Qualcomm estão projetando suas próprias opções a partir de chips móveis da ARM, que serão produzidos por fundições terceirizadas. Mesmo sem o investimento direto de uma fábrica, criar um chip de smartphone do zero poderá custar quase US$ 1 bilhão para essas companhias.

Recentemente, esses tipos de chip saíram de smartphones como iPhone para outros tipos de aparelhos por serem baratos e consumirem pouca energia.

Por exemplo, o tablet iPad, da Apple, deverá funcionar com um chip ARM. O mesmo deverá ocorrer com os pequenos laptops da Hewlett-Packard e da Lenovo. Algumas startups já começaram a explorar a ideia de usar chips ARM em servidores. ¿A Apple foi a primeira empresa a produzir um aparelho realmente desejável que não fosse baseado em chips da Intel e no Windows da Microsoft¿, disse Fred Weber, veterano no setor de chips. ¿O iPhone rompeu algumas barreiras psicológicas que as pessoas tinham ao tentar novos produtos, ajudando a impelir esse avanço nos eletrônicos de consumo."

Empresas como Nvidia e Qualcomm querem colocar seus chips no maior número possível de eletrônicos de consumo, como sistemas de entretenimento automotivo e telefones residenciais com telas e acesso à internet.

No Mobile World Congress, em Barcelona, Espanha, na semana passada, fabricantes exibiram uma vasta variedade de aparelhos ágeis com base em chips ARM, inclusive tablets e laptops. Além disso, a HTC lançou seu smartphone Desire, montado a partir de um chip ARM da Qualcomm chamado Snapdragon, que impressionou visitantes com sua enorme tela sensível.

Enquanto isso, a Intel está prestes a entrar na disputa da telefonia, tanto para expandir mercado quanto para se defender dos fabricantes de chips ARM. Sua linha de processadores Atom, usada na maioria dos netbooks e agora chegando aos smartphones, pode custar de duas a três vezes mais do que um chip ARM, de acordo com analistas. Além disso, os chips Atom consomem energia demais para muitos dos aparelhos menores.

Executivos da Intel argumentam que os consumidores vão querer experiências de computação portátil mais robustas, o que exige chips com mais vigor e programas compatíveis com PCs, duas forças tradicionais da Intel.

"Quanto mais essas coisas se assemelham a computadores, mais os consumidores vão valorizar algumas capacidades que temos e querer aumentar o nível de desempenho", disse Robert B. Crooke, vice-presidente da Intel responsável pelo chip Atom. "Detectamos isso em nossos consumidores em vários espaços, como TVs digitais e aparelhos portáteis."

A Intel também tem bolsos profundos. Em dezembro, a companhia tinha mais de US$ 9 bilhões em dinheiro e investimentos de curto prazo. Crooke disse que a experiência produtiva da Intel permitirá que a empresa produza a cada mais ou menos 18 meses uma nova safra de chips que sejam mais baratos e consumam menos bateria. À medida que os rivais se adaptam a técnicas de ponta na produção de chips, disse ele, provavelmente vão esbarrar em problemas que a Intel resolveu anos atrás.

Ao mesmo tempo, a competição de outros fabricantes vai pressioná-los a diminuir seus preços. "Não sei se isso vai dificultar para esses caras investirem no futuro, mas certamente é algo que alguém pensaria", disse Crooke.

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