Arquivo de janeiro, 2010

Oh! Oh! A volta do que não foi

Publicado: 28/01/2010 em Hardware

Vladimir Soster

A interface é personalizável, com nove cores da sua preferência  - (ICQ /Reprodução - 27/1/10)

A interface é personalizável, com nove cores da sua preferência

Ele, na verdade, nunca saiu de linha, mas surge reformulado após um longo inverno, pelo menos, na preferência dos brasileiros. Febre nos anos 1990, quando era líder absoluto na comunicação instantânea por aqui, o ICQ voltou. E com anos de atraso, diante do novo sinônimo de mensageiro instantâneo, o MSN, chamado oficialmente pela Microsoft de Live Messenger. Para encarar o desafio, a versão 7 do ICQ vem repaginada, prometendo integração a redes como o Twitter, FlickR e YouTube. De carona na curiosidade de muita gente, o Informátic@ também se rendeu à nostalgia do ICQ e resolveu experimentar o que há de novo nos domínios do “Oh-oh!” (emblemática vinhetinha sonora que indicava quando uma nova mensagem chegava).
O “Oh-oh!”, aliás, não é mais o mesmo – embora alguns reconheçam o novo som de alerta como atualização charmosa do antigo, a nova versão é facilmente confundível com um cacarejo. À parte a trilha sonora, surpresa bacana fica por conta da possibilidade de recuperar seu UIN (lembra que o cadastro não era por nome de usuário, mas por um extenso número?). Se você obviamente não se recorda da sequência numérica, pode procurar pelo seu nome na base de usuários. Se não se recorda da senha, o sistema envia e-mail para seu endereço (outrora cadastrado) para a criação de uma nova. Se você não tem mais seu antigo e-mail, o jeito é se conformar e criar um outro usuário. Disponível, por enquanto, apenas para Windows, a interface tem novas cores, para descansar a vista.

Sistema reconhece endereços de contas de e-mail, para ampliar a rede - (ICQ /Reprodução - 27/1/10)

Sistema reconhece endereços de contas de e-mail, para ampliar a rede

O Informátic@ conseguiu recuperar o usuário antigo – e, com ele, toda a nostalgia dos usuários com os quais mantínhamos contato há 14 anos. É claro que muita gente daquela época ainda não aderiu ao retorno do ICQ. E o mais provável é que a situação se mantenha assim. Passada a curiosidade do recadastro, a nova versão não segura a onda para voltar ao topo. Quando o MSN puxou o tapete do ICQ, os diferenciais eram ferramentas que hoje parecem banais, como a exibição de fotos dos usuários e contatos mais simples. O ICQ correu atrás disso, mas se esqueceu das chamadas em áudio e vídeo e também das mensagens por SMS.
É interessante a integração com o Twitter – lembra muito o que o Facebook já faz – e também a parceria com o Babylon (ferramenta com dicionário, Wikipedia e tradução), mas esses não são fatores para fazer ninguém migrar de comunicador instantâneo. Enquanto o Live Messenger tem 330 milhões de usuários no planeta, o ICQ tem 190 milhões (a maior parte concentrada na Alemanha, Rússia, Ucrânia e Israel, sua terra natal).

Atualizações e contatos do Facebook vão parar diretamente no ICQ - ()

Atualizações e contatos do Facebook vão parar diretamente no ICQ

Fora da briga, o gTalk tem 5 milhões de usuários, mais leve que os grandalhões, pode funcionar no próprio gMail, sem precisar instalar nada no computador. Em contrapartida, só funciona para quem tem gMail e todos os seus contatos do serviço entram automaticamente na lista de contatos instantâneos – não é possível bloquear chatos. Diante disso, a supremacia do Live Messenger deve seguir inabalada. Pesa bastante o fato de, ao se conectar no ICQ, não se encontrar ninguém on-line, apenas nomes esmaecidos de gente que o tempo já esmaeceu. É até um pouco triste afirmar, mas nesse caso, quem já foi rei perdeu a majestade.
Para baixar: www.icq.com/download

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Vladimir Soster

O público especializado sentiu falta de uma série de itens considerados “indispensáveis” para que o iPad possa ser considerado um produto “matador” da Apple.

O iPad, aguardado tablet da Apple, foi apresentado na quarta-feira (27) pelo fundador e presidente da companhia, Steve Jobs, como “algo melhor do que um netbook”, abrindo espaço para uma categoria “entre o smartphone e o notebook”.

Entre as principais características da prancheta eletrônica da Apple – que tem 1,3 centímetro de espessura e pesa menos de 700 gramas – estão: tela sensível ao toque de 9,7 polegadas; conexão WiFi, Bluetooth e 3G; chip A4 de 1GHz; bateria com duração de 10 horas, e 1 mês no modo “standby”.

Além disso, segundo a companhia, todos os aplicativos do iPhone funcionam no iPad, que também suporta o iWork, pacote de aplicativos da Apple que compete com o Office da Microsoft.

 

O Problema é que o iPad não tem:

Câmera de vídeo – O iPad tem wi-fi e 3G, mas perde força ao dispensar uma câmera. Com isso, o dispositivo – que também não tem webcam – poderia se tornar uma boa ferramenta para teleconferência, por exemplo.
 
Recurso multitarefa – Cada vez mais acostumado a fazer várias tarefas ao mesmo tempo no computador, o usuário tem tudo para se sentir um tanto “amarrado” no iPad, já que o aparelho só permite abrir um aplicativo por vez.

USB – Em vez de optar pela porta USB, presente em outros produtos da companhia, a Apple oferece o conector dock e já anunciou um kit de conexão para câmeras, com adaptadores para câmera e SD card.
 
Suporte a Flash – Como o Flash está presente em muitos sites, a falta de suporte a essa tecnologia é um entrave na experiência de navegação do usuário.

Memória – O iPad estará disponível inicialmente com três capacidades de armazenamento – 16GB, 32GB e 64 GB –, bastante limitadas para quem quiser guardar muitos filmes em alta definição, por exemplo.

HDMI – E já que o assunto é alta definição: sem saída HDMI, o iPad não poderá ser conectado a um monitor HD, por exemplo.

Foto: Divulgação

Vladimir Soster

Conheça um pouco mais sobre estes carregadores sem fio que transformam força magnética em energia elétrica.

 

Pense na seguinte situação: você foi acampar e a bateria de seu celular e, obviamente, não se encontra uma tomada por perto. Normalmente você esperaria até o retorno para recarregar seu aparelho e então poder usá-lo novamente.

Contudo, se você possuísse um carregador indutivo para seu telefone móvel, o problema seria facilmente resolvido, mesmo sem nenhuma tomada por perto. Isso porque carregadores indutivos são providos de um sistema que, quando acoplado ao dispositivo a ser carregado, cria um campo magnético e transforma-o em energia elétrica.

Assim, sem nenhuma fonte de energia elétrica tradicional e também sem nenhum fio, seu celular pode ser carregado tão eficientemente quanto se estivesse passado algumas horas plugado no carregador ligado em uma tomada.

Como funcionam os carregadores indutivos?

Apesar de parecer algo complicado, estes aparelhos têm um funcionamento relativamente simples. Quando o celular fica sem bateria ele é acoplado ao carregador indutivo. Dentro do carregador se localizam algumas bobinas que começam a se movimentar. Essa movimentação gera um breve campo magnético que servirá como fonte de energia para seu celular.

O carregador indutivo capta a energia do campo magnético e suas placas internas convertem-na em energia elétrica. A partir de então, a energia gerada pela conversão do carregador é transmitida sem fio para seu celular, que volta a ter carga e pode ser utilizado normalmente!

Hug System / Foto: Divulgação

Um bom exemplo deste aparelho é o Hug System, da fabricante Hug. Ele é carregador indutivo para iPhone e funciona exatamente como o descrito acima. Além disso, em seu case encontra-se também um carregador elétrico para a tomada. Seu preço: US$ 89,99.

Carregador indutivo com fio

Porém, existem outros modelos de carregadores indutivos que necessitam ser conectados aos dispositivos para carregá-los. É o caso do iYo, outro carregador para iPhone, criado pelo sueco Peter Thuvande, um usuário que utiliza somente a energia solar para carregar seu aparelho e gostaria de aproveitar a noite para dar nova carga ao seu dispositivo.

iYo / Foto: Divulgação

O iYo é um ioiô e também faz uso da indução magnética para gerar energia elétrica. Ele funciona assim: o magnetismo gerado pela movimentação do ioiô é convertido pelo aparelho em energia elétrica. Essa energia é armazenada em uma bateria de lítio existente no iYo e transferida ao iPhone quando ambos os dispositivos estão plugados.

Vantagens

Sem a menor sombra de dúvidas, carregadores indutivos possuem vantagens. A principal dela talvez seja o fato de não consumir nenhum recurso natural para produzir energia elétrica, afinal, a indução magnética é a fonte da energia que carrega celulares, MP3 players, controles de video games, aparelhos de barba, escovas de dente etc.

Além disso, como não se manipula nenhuma fonte com energia elétrica, nem tomadas ou fios, a possibilidade de choque elétrico cai a zero, tornando este tipo de dispositivo, além de ecológico, muito mais seguro que os carregadores convencionais.

Desvantagens

Alguns apontam como desvantagens para este sistema o fato de sua baixa eficiência, o que impede que funcione em equipamentos que demandem mais energia. Porém, para celulares e outros dispositivos pequenos ele é o suficiente. Outro problema é a possibilidade de superaquecimento quando do carregamento de dispositivos mais antigos.

Grande problema: poucas fabricantes

Apesar de propor algo diferente, com energia limpa e sem consumo de recursos naturais, os carregadores indutivos ainda estão longe de ser uma realidade para a enorme maioria dos dispositivos eletrônicos. Tanto é que, por enquanto, nenhuma empresa brasileira disponibiliza os aparelhos e até mesmo lá fora o mercado é bastante restrito.

De qualquer forma, é uma ótima iniciativa e que merecia um pouco mais de atenção das fabricantes de telefones celulares, dispositivos de reprodução multimídia, controles de vídeo game e quaisquer outros aparelhos portáteis, afinal, carregadores indutivos significam economia de recursos para a você e para o planeta Terra.

Vladimir Soster

Celular com projetor portátil é a nova menina dos olhos do público corporativo. Jogando pesado nas especificações, o LG eXpo chega cheio de novidades.

O ano de 2010 começou quente no mundo da tecnologia, mas ainda no final de 2009 a LG fechou o ano com o lançamento de um super celular. Não tão badalado quanto o Nexus One, da Google e HTC, o novo LG eXPo GW820 é mais uma investida das grandes fabricantes de celulares no mercado empresarial. 
Se você bater os olhos nas especificações técnicas do aparelho, certamente vai concordar que ele é destinado aos heavyusers, ou seja, pessoas que usam o celular para praticamente tudo. Só com o processador Qualcomm Snapdragon 1 GHz, 3G, Wi-Fi, teclado QWERTY deslizante, GPS e câmera de 5 MP, o eXPo já mostra a que veio, mas ao sair da caixa com Windows Mobile 6.5, leitor biométrico e projetor portátil, o aparelho abre o jogo e se curva ao público corporativo.

LG completo para os negócios

Especificações técnicas
Confira na tabela a seguir as especificações técnicas do aparelho

Especificações

 

Diferenciais

Ninguém duvida que os grandes diferenciais do LG eXpo sejam o projetor portátil e o leitor biométrico. Como o aparelho é focado no mundo dos negócios, apresentações de slides são rotina na vida de muitos executivos, sendo assim, como ele vem com Windows Mobile 6.5, o pacote Office – com o PowerPoint é claro – não poderia ficar de fora.

Projeções em grande escala

Com o PowerPoint rodando a todo vapor ajudado por um processador de 1 GHz, o projetor portátil é muito bem-vindo, pois é possível realizar apresentações em até 40 polegadas diagonais com o LG Mobile Projector, de apenas 51 g.
Ele não é fixo ao aparelho, sendo assim, é possível acoplar o projetor na parte de traseira quando for realizar uma apresentação e retirá-lo assim que acabar. Vale lembrar que o projetor é um item opcional que não vem com o aparelho e precisa ser adquirido separadamente.
O leitor biométrico, assim como o projetor, é uma novidade que aparece pela primeira vez em um celular. Muito comum em notebooks, este tipo de tecnologia oferece mais segurança ao proprietário do equipamento, pois apenas o dono da impressão digital cadastrada pode destravá-lo.

Leitor biométrico para a segurança

Além de fornecer mais segurança, a tecnologia Smart Sensor também facilita a navegação em textos ou páginas da web com muito conteúdo. Semelhante à TrackBall do BlackBerry, o Smart Sensor da LG permite ter mais conforto na hora de visualizar documentos ou navegar pelos menus do aparelho.
Câmera
As câmeras de 5 MP em celulares já não causam tanto barulho quanto antigamente, pois aparelhos com 8 MP como o Renoir e o Crystal, ambos da LG, já chegaram. Mas, mesmo com câmeras mais poderosas no mercado, os 5 MP do eXpo em conjunto com  um Flash LED permitem fotos com altíssima qualidade.
Windows Mobile 6.5
Quem usa o Windows no computador vai se sentir em casa ao navegar pelos menus do aparelho. Praticamente todas as principais ferramentas do sistema operacional da Microsoft estão disponíveis na nova versão do Windows Mobile. Revitalizado e com visual muito mais moderno e prático do que a versão 6.1, a versão 6.5 está conquistando espaço em vários celulares recém-lançados.

Windows Mobile renovado

Como navegador padrão temos o Internet Explorer; Windows Media Player para as músicas e a plataforma Windows Live como central de emails, o que não é nenhuma novidade. É claro que outros aplicativos podem substituir os que vêm instalados, pois o eXpo tem suporte Java, o que abre um enorme leque de opções.
A propaganda é a alma do negócio
Para promover seu mais novo produto, a LG vinculou a projeção de imagens do eXpo com ninguém mais, ninguém menos, que o filme Avatar. No site oficial do celular é possível encontrar vários vídeos exclusivos, downloads de papéis de parede, entrevistas, fotos, trailers e muito mais. Pelo que parece, a LG quer passar a impressão de que assistir a uma apresentação ou um filme com seu projetor é uma experiência tão fantástica quanto assistir a Avatar. Será mesmo?

LG e Avatar

 

Preço e disponibilidade

Só na AT&TSegundo a LG, o aparelho está disponível para compras online no site da operadora AT&T. Nos EUA, o preço gira em torno de US$250 ou R$435, porém ele é vendido apenas dentro de planos pós-pagos.
Além disso, apenas pessoas jurídicas, ou seja, empresas têm acesso ao celular. Ainda não há estimativa de quando ele será liberado para o consumidor comum e, muito menos,  a de chegada ao Brasil.

A estrela principal – o projetor – ainda não está disponível para compra. O preço do acessório será de US$179, algo em torno de R$300. Apesar de parecer salgado, o preço do LG Mobile Projector não chega nem perto de o de um miniprojetor portátil. Um modelo da 3M de 160g e projeção de 50” custa no Brasil, aproximadamente, R$900. Outra opção, da Texas Instruments, com projeção de 60” e 115g, sai por R$1.999.

Projetores avulsos

Ele não é o único
Se você é usuário Apple e tem um iPhone, iPod ou qualquer outro dispositivo de vídeo, não precisa ficar triste ao olhar para seu aparelho e ver que ele não tem um projetor. A empresa alemã Hammacher Schlemmer oferece aos usuários uma opção com a mesma tecnologia dos projetores de cinema. Além disso, há alto-falantes integrados e entrada para fone de ouvido. Com capacidade de projeção de 60” e 170g, o iPod Video Projector está à venda por US$299.

Projetor para iPhone

Com projetor ou não, o fato é que o eXPo se destaca na hora da venda por seu design e, com certeza, pelas suas configurações. Apesar das restrições na hora da compra e da venda separada do projetor, o aparelho pode ser uma ótima opção para quem precisa de um celular que sem engasgardê conta das mais diversas tarefas. Resta-nos esperar até a chegada dele ao Brasil.

Vladimir Soster

Foram instalados programas espiões em computadores das empresas.
Hackers designaram ataques como ‘Operação Aurora’.

 

A bandeira nacional da China tremula na frente da
                sede do Google em Pequim, que ameaçou deixar o país.
                (Foto: Jason Lee/Reuters)Recentes e sofisticados ciberataques contra o Google e outras empresas exploraram uma falha até agora desconhecida no navegador Internet Explorer, da Microsoft. O ponto fraco no navegador mais utilizado no mundo foi identificado pela empresa de segurança na computação McAfee, e posteriormente confirmado pela Microsoft.

O Google anunciou na terça-feira (12) que detectou, em dezembro, um ataque originado na China à sua infraestrutura empresarial, resultando em roubo de propriedade intelectual. A empresa veio a descobrir que mais de 20 outras companhias presentes no país também sofreram infiltrações.

A McAfee informou na quinta-feira (14) que os responsáveis pelos ataques enganaram funcionários das empresas, fazendo-os clicar em links que direcionavam para um site que instalou secretamente um programa de espionagem em seus computadores, em uma campanha a que os hackers aparentemente designaram "Operação Aurora".

"Jamais vimos ataques dessa sofisticação no espaço comercial. Só os havíamos visto anteriormente no espaço governamental", disse Dmitri Alperovitch, vice-presidente de pesquisa da McAfee. 

A Microsoft posteriormente confirmou o problema e enviou um alerta aos usuários, esperando reduzir o problema. A companhia trabalha para desenvolver uma atualização para o Internet Explorer para evitar novos ataques. "A empresa determinou que o Internet Explorer foi um dos vetores usados em ataques dirigidos e sofisticados contra o Google e outras redes empresariais", afirmou a Microsoft.

A maior produtora mundial de software afirmou que o uso do Internet Explorer em "modo protegido", com os controles de segurança em nível "alto", limitaria o impacto do problema. "Precisamos encarar com seriedade todos os ataques à computação, não apenas esse", disse Steve Ballmer, presidente-executivo da Microsoft, em entrevista à CNBC. "Temos toda uma equipe que responde em tempo verdadeiramente real a qualquer denúncia que possa ter algo a ver com o nosso software”.

Segundo a McAfee, os programas permitiam a tomada de controle de computadores sem que seus donos soubessem.
O Internet Explorer é vulnerável em todas as recentes versões do Windows, incluindo a nova Windows 7, segundo a McAfee. A Microsoft afirma que os ataques têm sido limitados ao Internet Explorer 6, uma versão mais antiga do aplicativo.

Vladimir Soster

Pesquisa coloca o país em terceiro lugar em uso do site.
São Paulo está entre as cidades que mais usa o microblog


                Brasileiros estão entre os que mais usam o serviço de
                    microblog Twitter. (Foto: Reprodução)
            Brasileiros estão entre os que mais usam o serviço de microblog Twitter. (Foto: Reprodução)
Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (14) mostra que o Brasil é um dos principais países em quantidade de usuários do Twitter. Os brasileiros são a segunda maior população do site de microblog, correspondendo a 8,7% de seu total de usuários.

Os americanos ficaram em primeiro lugar no estudo da Sysomos, correspondendo a mais de 50% dos usuários do serviço. O Reino Unido aparece na terceira posição, com 7,2%. Na pesquisa divulgada em junho passado, os EUA tinham 62% do total de pessoas registradas no site e os brasileiros correspondiam a 2%.

Em número de mensagens publicadas no Twitter, os Estados Unidos lidera com 56% das “twittadas” em todo o mundo. Neste quesito, os brasileiros caem para a terceira posição, representando 6,7% do movimento do microblog. O Reino Unido fica com a segunda colocação com 8%.

No ranking das cidades que mais usam o Twitter, Londres ficou em primeiro lugar, com 2%, seguindo por Los Angeles, nos EUA, com 1,6% e São Paulo, com 1,4%. O Rio de Janeiro aparece na nona posição com 0,75%.

Demi Getschko conta como foi início da navegação virtual dos brasileiros. Ele preside núcleo para implementar projetos do Comitê Gestor da Internet.

Giovana Sanchez e Juliana Carpanez
Do G1, em São Paulo

Foto: Arquivo Pessoal Demi Getschko, de 56 anos, é hoje diretor-presidente do NIC.br, um núcleo criado para implementar as decisões e os projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A história do engenheiro eletricista com a rede, no entanto, começou bem antes: no final dos anos 80, quando ele fazia um doutorado em engenharia na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, teve aula com um professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) sobre redes de pacotes, a tecnologia utilizada atualmente na internet.
Desde então, ele participa da história da internet brasileira e ajudou, inclusive, a trazer em 1991 a rede para o país. Mais precisamente para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Por conta dos 40 anos da internet, o especialista falou ao G1 sobre sua experiência pessoal com a rede e também sobre os primeiros passos da rede no Brasil.
O aniversário da internet é comemorado no dia 29 de outubro – nesta data, em 1969, foi realizada a primeira transmissão de uma mensagem entre os servidores da University of California em Los Angeles (UCLA) e o Stanford Research Institute (SRI), em Menlo Park. O objetivo era mandar a palavra “log”, mas somente as duas primeiras letras chegaram. Portanto, a primeira mensagem da história transmitida via conexão de dados foi “lo”.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

G1 – Qual foi seu primeiro contato com a internet?

Demi Getschko – Nos anos 80 fiz doutorado na Poli, onde tinha um curso com um professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) sobre redes de pacotes, que é a tecnologia utilizada na internet. Esse foi o meu primeiro contato com a teoria ao redor de redes como a internet.

G1 – E quando o senhor chegou a usar a rede pela primeira vez?

Getschko – Antes de usarmos a internet, nós usávamos outra rede. No Brasil, desde 1987, nós estávamos nos conectando a redes acadêmicas. A primeira que usamos se chamava Bitnet [sigla para “Because It’s Time Network”, uma das maiores e mais antigas redes de grande abrangência usadas principalmente por universidades].
Nos anos 80, a internet começou a ganhar impulso e passou a ser a rede que iria absorver todas as demais. 

Nós aqui no Brasil começamos na Bitnet, depois passamos para a HEPNet [high energy physics network] e em fevereiro de 1991 já começamos a trocar pacotinhos com protocolo TCP/IP [a base da infraestrutura de comunicação dos computadores conectados à internet]. Na verdade a popularização da internet aconteceu mais ou menos ao mesmo tempo nos EUA também.

G1 – O senhor não chegou usar a internet nos EUA antes?

Getschko – Eu cheguei a fazer isso em 1989, mas usar lá não vem ao caso, não é? O que significa usar a internet, usar a Bitnet ou outra rede do tipo? Na época, no final dos anos 80, as redes acadêmicas eram usadas para troca de correio eletrônico e para envio de arquivos. Se você conseguisse mandar e receber e-mail e mandar e receber arquivos você estava bem servido.
A internet teve uma potencialidade maior porque ela podia ter serviços. E a internet virou o que conhecemos depois que a web entrou no ar. Quando você pergunta se eu usei em 1989, usei. O que eu fiz? Bati num terminal de texto um monte de caracteres e mandei correio eletrônico. Não havia imagens, não havia som, desenho, nada. Era esse o serviço que você tinha na rede.

G1 – Você acredita que pode ter sido o primeiro brasileiro a usar a internet?

Getschko – Certamente não. Muitos brasileiros que estavam no exterior fazendo doutorado, mestrado, trabalhando, usavam essas redes muito antes de que nós conseguíssemos usá-las aqui no país.
Quando ligamos o Brasil às redes acadêmicas, trouxemos para cá um serviço que era comum lá. E parte da pressão para trazer isso veio deles. Eles voltavam e diziam: “lá era muito fácil, eu mandava um e-mail para o meu orientador, eles devolviam com um comentário da minha tese”.
Então a Fapesp, como era um órgão que apoiava a pesquisa, tomou para si o fato de trazer pra cá essa facilidade. Eu, como usuário de correio eletrônico, sou muito posterior ao que o pessoal usava lá fora. A minha ação nesse cenário foi ter ajudado a trazer pra cá algo que era usado lá fora.

G1 – A internet só surgiu no Brasil em 1991, na Fapesp. Conseguia explicar para os brasileiros não envolvidos com tecnologia do que se tratava a rede?

Getschko – A rede que nós tínhamos antes da internet era basicamente correio eletrônico. Tinha outra coisa interessante, que eram listas de discussão: elas funcionavam bem e usamos com sucesso no Brasil. No final dos anos 80, nos EUA, já tinha caído a ficha de que era preciso migrar para redes com mais perspectivas para o futuro.
Essa nova rede era a internet, com alguns serviços a mais e a possibilidade de trabalhar com velocidades mais altas do que a Bitnet, que era intrinsecamente lenta e não servia para serviços interativos de passar dados ou conversas. Em 1986, começava a ficar claro para a comunidade científica que, se você queria uma rede com mais futuro e mais serviços, era melhor ir na direção do TCP/IP.
Como estávamos ligados a um laboratório americano de física, nós perguntamos a eles como estavam as coisas. Eles então nos disseram que iriam migrar e injetar na nossa linha também internet. Isso por volta de 1990, e eles acabaram levando a gente de carona. Então, no final do ano, passamos a usar também a internet no Brasil. Em 1996, desligamos a Bitnet.

G1 – Quais os primeiros usos da internet no Brasil? Tinha algum uso para entretenimento?
Getschko –
Tinha uso para entretenimento, sim. Um exemplo era uma lista de discussão sobre ópera, na Bitnet, criada por um membro do Rio de Janeiro. E ninguém imaginava que a lista tinha sido criada no Brasil, porque uma lista sobre ópera criada por aqui era meio impensável. A lista era toda em inglês e o pessoal que participava era quem montava ópera em Nova York, Munique. Eles entravam, discutiam e não sabiam que a lista era rodada no Brasil, na Fapesp. Foi um sucesso. A comunidade até hoje existe.

G1 – Tem alguma situação engraçada ou curiosa desse começo do uso da internet no país?

Getschko – Uma coisa que nos divertia muito no começo da Bitnet foi uma lista chamada Brasnet, que era ‘brasileiros na net’ e que unia o pessoal de fora. Tinha um pedaço na costa americana, na Europa e no Brasil, na Fapesp. Era uma lista de brasileiros que estavam no exterior e que trocavam informações sobre onde se encontrava farinha em não sei onde, outro encontrou cachaça em tal lugar. Todo dia tinha mensagens da Rádio Uirapuru de Itapipoca. Ele escrevia uma rádio em texto, dava o noticiário, festa junina, fazia toda a narração das piadas, festas, tudo em texto. Essa lista chegou a ter uns 800 membros.

G1 – Nesses 40 anos de internet, tem algum rumo que a rede tomou que o senhor não goste? Algo que desaprove, que gostaria que fosse diferente?
Getschko – Minha visão é que a internet e as redes acadêmicas têm uma característica de inclusão, de abertura, de oferecimento gratuito de serviços. Quando a internet começou a ficar popular, várias ondas de novos usuários começaram a entrar e a rede conseguiu catequizá-los. Algumas pessoas entravam com propósitos mais comerciais: o primeiro spam, por exemplo, foi por essa época. A rede foi sucessivamente assaltada por iniciativas que fugiam do seu caráter inicial.
Mas estranhamente ou felizmente, ela conseguiu sempre catequizar esse pessoal. A rede acaba sempre se defendendo, aparecem filtros, ela tem uma tendência a se defender contra o que é ruim e a lentamente expurgar essas atividades. Até economicamente. Por exemplo: quando apareceram os primeiros navegadores houve uma tendência a cobrar pelos browsers e depois ficou claro que isso não funcionava, pois apareciam as alternativas gratuitas.
Ainda hoje a rede tem essa característica de estimular soluções que em geral são abertas e grátis. A internet é um lugar onde você pode lançar um serviço novo sem ninguém perguntar quem aprovou isso. No final, quem julga se deu certo é a rede em si.

G1 – O senhor usa internet há quase 30 anos. Consegue acompanhar a velocidade da tecnologia na forma como ela se desenvolve atualmente?

Getschko – Eu faço o possível pra isso. Eu me classifico como imigrante, pois não nasci na rede: ela foi criada quando eu já estava crescido. O pessoal que vai muito bem na rede é aquele que já nasceu com ela existindo, é um pessoal que não consegue imaginar o mundo sem a rede porque quando nasceu ela já existia. São os nativos da rede.
Eu continuo usando tudo que já usava, mas não sou um blogueiro ativo, uso o Twitter de forma menos intensa. O pessoal jovem consegue falar com três pessoas ao mesmo tempo e ainda fazer um joguinho. Existe uma diferença de comportamento em relação à rede.

G1 – Que sites e serviços on-line o senhor não consegue mais se imaginar sem?

Getschko – Eu certamente não consigo me imaginar sem o serviço de busca, outra revolução na rede. O Google, hoje, acho que é uma unanimidade. Para começar é espantoso que isso tenha sido feito. Eu sou um sujeito da ciência da computação e se me perguntassem em 1980 se isso era possível eu ia dizer que não. Mas não só é possível como fizeram. Eu certamente não viveria também sem correio eletrônico.
O resto eu leio notícias em sites de jornais importantes. Mas isso ainda é uma repassagem para o mundo virtual do que eles faziam no mundo real. Lentamente isso vai ficando mais dinâmico.
Já coisas como o Twitter nasceram no mundo virtual e têm um jeitão diferente do que as coisas que migraram. Eu sou um sujeito que fui migrado, não nasci no mundo virtual, então sou meio quadrado nessa área.

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IPC.: Eu Vladimir Soster, também iniciei meus trabalhos de informática junto com a História da informatica 1987, vivencie todoas as etapas da internet no Brasil desde o tempo da BitNet e usei tbm um sistema chamado de CARBONCOP usado para enviar informações de Folhas de pagamentos entre matrizes e filiais a longa distância como por exemplo 4.000 km ou mais. E eu como outros tantos profissionais sérios da área podemos dizer que o Senhor Demi Getschko relatou de forma muito simples e verdadeira esta história de infinita evolução e revolução, e relato que também sou membro da comunidade da Brasnet. E, como ele, também sou um imigrante desta tecnologia, já meu filho de 6 anos, já é um membro nativo desta tecnologia.

IPC= Importante Pra Caramba. :P